DEUS

DEUS(I) - ensaio de 21-06-1997

DEUS(II) - ensaio de 06-12-2001

 

DEUS (I)

Roberto Andersen 21-06-1997

"O último passo da razão está em reconhecer que há infinitas coisas que excedem o seu alcance".

Após essa declaração da sua verdade sobre a razão universal, Pascal fez saber ao mundo que estamos muito longe do pleno conhecimento dos nossos grandes mistérios.

De quebra mostrou aos homens que a busca incessante pelas comprovações científicas só nos leva à comprovação de que cada vez nos distanciamos mais da nossa verdade.

Mas o homem continua sua eterna luta, reconhecidamente há mais de dez mil anos, tentando encontrar na razão a explicação para a existência de Deus e procurando indícios materiais que venham a comprovar a sua intervenção em nossas vidas.

Stephen Hawking, o cientista paraplégico inglês, talvez a maior inteligência viva da atualidade, procura mostrar que Deus pode até existir, mas não se fez necessário em nenhum momento, desde a criação do universo até hoje.

Deus constitui, indubitavelmente, o maior desafio para a razão humana.

A maioria dos homens acha que acredita em sua existência, mas na realidade se confunde ao tentar compreender a sua essência.

Na filosofia da antigüidade Deus era tudo; na filosofia de hoje o homem é tudo...o que nos leva a crer que tanto ontem, como hoje, Deus e o homem foram e são considerados contrários e paradoxais.

Foi com esse paradoxo que o homem criou Deus e lhe deu nomes e símbolos.

Deus era o sol, a lua, o trovão...

Deus recebeu nomes e foi adorado em representações esculpidas em pedra, cera, madeira...

O homem passou a falar com Deus e receber castigos e benesses... e sacrificou animais, crianças, mulheres e outros homens em sua homenagem...

E o homem imaginou-se criado por Deus à sua imagem e semelhança... mas aprendeu a adorá-lo e temê-lo...

O homem criou o paradigma substancialista, em que ele era uma pequena parte, material, frágil e passageira, formando com seus pares o conjunto humanidade e dominado pelo todo universal poder divino, este eterno e criador de todo o universo, totalmente separado do homem, seu contrário, em rivalidade filosófica definitiva e permanente.

E a partir daí a comunicação com Deus foi se tornando mais rara e difícil, pois passava a ser uma questão de crença e fé, ao invés de uma mentalização real e verdadeira.

As conversas que Moisés, Abraão, Cristo, Buda, Maomé e os profetas mantinham com Deus passaram de realidade a lenda, e o espiritualismo foi dominado pelo materialismo.

Deus foi relegado a posição de inexistente, uma lenda ou, no mínimo, desnecessário...

A comunicação com Deus pelos próprios crentes passou de mentalização natural para oração cadenciada e padronizada... onde os momentos de troca de energia foram substituídos por momentos sociais de mistificação... a verdade tornou-se um mito...

Mas não há religião nem ciência superior à verdade, e ela acabará por retornar, queiram ou não os filósofos materialistas e os cépticos cientistas.

E retorna quando o conhecimento científico se depara com o mistério do macrocosmos e o compara com o mistério do microcosmos.

O que se depara na observação da imensidão infinita do universo exterior com os telescópios espaciais de altíssima capacidade, se depara também na observação experimental do infinito espaço interior do microcosmos das células, onde cada partícula, por menor que seja, contém dentro dela uma nova infinidade de sistemas bastante semelhantes aos sistemas estelares e inter-galácticos conhecidos...

O homem passou a ter que conviver com o conhecimento de que ao mesmo tempo em que ele é um micróbio para o mundo exterior, ele é um deus para o mundo interior, gerando energia própria e produzindo novas vidas.

Deus voltou a existir dentro de cada homem... e cada homem voltou a existir dentro de Deus.

É o retorno do pensamento global e unificado de Moisés e Abraão apresentado por uma nova forma de comunicação com nosso próprio Eu.

O Ser Humano homem volta a descobrir o paradigma holístico, interativo e univérsico, onde a existência é integralizada em si mesma.

O homem deixa de ser um elemento independente e passa a constituir uma das sinergias do todo, fazendo parte da energia maior do universo e ao mesmo tempo contendo-a dentro de si.

O todo se encontra em todas as partes e todas as partes contém o todo.

A comunicação com Deus deixa de ser uma simples oração para ser um diálogo verdadeiro, quando descobrimos que fazemos parte de sua energia e que a temos, por inteiro, dentro de nós.

Comunicar-se com Deus passa a ser de novo possível, desde que voltemos a conseguir uma comunicação verdadeira e sincera com nossa própria grande consciência interior.

 

 

DEUS (II)

Roberto Andersen 06-12-2001

(Carta a um amigo)

Se fosse o caso de lhe dar um conselho inicial sobre assunto tão importante eu diria: continue a estudar Deus, sem qualquer obrigação de acreditar ou não em sua existência. Todos os que o estudam partindo de pré-convicções, perdem-se em suas idéias e em nada contribuem para o Seu entendimento verdadeiro. Também devemos estar bem livres para mudar nossas próprias convicções a respeito do tema a qualquer momento, já que tudo o que é realmente importante na vida é dinâmico e o conceito de Deus não poderia ser exceção.

Eu, pessoalmente, nunca me preocupei em dizer se acreditava ou não em Deus. Algumas pessoas até me perguntavam de vez em quando, mas eu nunca me preocupei em respondê-las. E, por isso mesmo, tive sempre toda a liberdade para procurar ir entendendo sua essência aos poucos e tirando as minhas próprias conclusões. Hoje em dia eu posso dizer que tenho convicção perfeita de que existe uma inteligência superior como que envolvendo todo o universo e, ao mesmo tempo, toda ela, dentro de cada um de nós. É um sentimento estranho, já que fica difícil, pela nossa limitação de inteligência, entender como pode uma coisa superior a tudo o que existe e envolvendo toda a massa do universo, estar, ao mesmo tempo, inteiramente dentro de nossa própria mente? São coisas que podemos até explicar pelas teorias quânticas, mas que acho impossível, no estado atual de nossa inteligência, entender plenamente! Junto a esse sentimento que existe dentro de mim existem também os resultados das experiências científicas que estão sendo realizadas em todo o mundo e que, a cada dia, nos mostram novos caminhos para os grandes mistérios da vida, como as 10 dimensões do universo (sabida desde 1927, embora sem ninguém entender), a existência de uma energia pessoal viva mesmo após a morte da pessoa (já observada por equipamentos e também sem que ninguém consiga entender); a comprovação da geração da energia mental pela cabeça e pelo coração (sendo realizadas medições para que se tente entender alguma coisa), etc...

Tenho convicção da existência de algo! Sempre fiquei meio temeroso em chamar esse "algo" de Deus, para não confundir com o conceito medíocre de Deus, uma figura quase humana, um velhinho de barba, bonzinho, que tudo perdoa, que faz tudo o que pedimos e que se agirmos com bondade estaremos recebendo suas graças... No Deus desse conceito eu não acredito. Na realidade sei que não existe e nem poderia existir. Se assim fosse nada precisaríamos fazer, bastaria ficar "orando" e aguardar que ele nos mandasse comida, água, roupas, cobertores e proteção... mas infelizmente tem muita gente que faz exatamente isso! É o famoso povo do: Deus assim desejou... se Deus quiser... se for da vontade de Deus... quando Deus quiser... frases típicas da indolência de um povo que se acomodou ao sofrimento e não move uma palha pelo seu próprio bem, menos ainda para o Bem Comum...

No oriente o conceito de Deus é inexistente. Embora agora tenha mudado um pouco devido ao alastramento das religiões cristãs, ainda são muito visíveis os conceitos de valores divinos nas próprias pessoas que, morrem, retornam, morrem, retornam, e assim sucessivamente, como nas religiões espíritas, sendo as suas próprias energias eternas as controladoras do mundo e da vida. Os conceitos são um pouco mais complexos do que isso, mas é mais ou menos por aí

Fomos criados com a idéia de que acreditar em Deus é o certo. Não acreditar é errado. Ser ateu é um pecado. Mas em momento algum nos provaram a sua existência! Todos os filósofos que apresentam as provas da existência de Deus utilizam-se de argumentos que podem ser considerados "falaciosos" (falsos), ou seja, é como se você dissesse:

Deus é amor.

Tudo o que eu sinto existe.

Eu sinto amor, logo Deus existe.  

Fica lindo provar a existência de Deus dessa forma, mas fica "falacioso", já que, em primeiro lugar, estamos partindo de um princípio que foi imposto sem qualquer prova anterior: Deus é amor. Segundo: se Deus é amor fosse considerado uma verdade absoluta (que se chama de axioma), o fato de DEUS SER AMOR não comprova a recíproca, ou seja: que AMOR É DEUS. Então, o fato de sentirmos amor não significa que estamos sentindo Deus! E muitas coisas na área religiosa estão comprovadas dessa maneira...!!! Mas a falta de inteligência ou a acomodação ou o medo de muitos religiosos acabam por simplesmente aceitar tudo sem a menor contestação.  

Eu poderia lhe dizer que eu SEI da existência dessa INTELIGÊNCIA, porque a SINTO dentro de mim. Mas não queira simplesmente acreditar nisso. Cada um de nós pode ser dono de uma verdade diferente e isso significa que você deve esperar, com calma, que os seus próprios sentimentos lhe digam algo, e isso vem aos poucos. Muitas vezes haverá contradições, dúvidas e incertezas, mas é exatamente assim que tem graça! Tenho pena daqueles que se conformam em simplesmente acreditar...  

Durante todos esses anos tenho convivido com cientistas que dão um outro sentido à palavra acreditar. Ou se prova alguma coisa e sabe-se de sua existência ou se pesquisa essa coisa na intenção de encontrar uma solução acreditada. Mas não existe a possibilidade de se acomodar em uma crença sem se despender um esforço para sua comprovação ou até mesmo sua contestação. Na ciência, crença é um instrumento de pesquisa para se chegar a uma verdade, mesmo que essa verdade seja depois contestada por uma outra verdade oposta.  

Proponho continuar nossa conversa pesquisando como apareceu essa idéia de Deus? As nações nômades que formaram o antigo Israel encontraram numerosos deuses pelo seu caminho. A fusão de todos esses deuses resultou na formação do conceito do Deus que passou a ser lá venerado. Esses estudos técnicos sobre Deus estão muito bem mostrados na obra "Yahweh and the gods of Canaan", de William Foxwell Albright; depois um aluno seu, Frank Moore Cross publicou "Canaanite myth and Hebrew epic", ampliando os estudos. Mais tarde um aluno de Cross, Mark S.Smith publicou "The early history of God", ampliando ainda mais os estudos técnicos sobre a essência da Divindade.Muitos religiosos acham isso meio absurdo, mas por que não podemos estudar tecnicamente Deus? Que mal há nisso?  

Estou comentando sobre essas obras mas ainda não as li. Por enquanto pesquiso Deus dentro de mim mesmo e comparo com o Deus existente dentro de meus amigos, como você, já que é exatamente dentro de nós que está a verdade. Mas não deixo de utilizar outras fontes de consultas básicas que são o Tanach (a Bíblia Hebraica) e o Antigo Testamento (A Bíblia Cristã). Embora essas duas sejam as mais importantes para esse estudo, não podemos deixar de ler e procurar entender os livros das demais religiões, como: o Alcorão, do Islamismo; o Bhagavad Gita, do hinduísmo;e o Dhammapada, do Budismo. Todos, como escritos sagrados e milenares, tem muito a contribuir para o nosso estudo e o conseqüente entendimento de alguma coisa...  

Sobre DEUS isso é só o início, mas é melhor irmos aos poucos. Preciso agora de seus comentários e, mais do que isso, seus sentimentos mais profundos! Principalmente o que você sente mesmo, com toda sinceridade. Fale qualquer coisa, mesmo que venha a mudar de idéia no minuto seguinte! Nós somos dinâmicos e não podemos ter medo de mudança de opinião.

(a ser continuado)